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Danilo Gentili e suas opiniões equivocadas (e engessadas) sobre o que NUNCA viveu…

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Pela diva DJAMILA RIBEIRO via Facebook:

“Pelo amor das deusas africanas, não existe racismo reverso. Danilo Imbecili se faz de vítima porque foi chamado de palmito e o povo cai. Racismo é um sistema de opressão e para haver racismo deve haver relações de poder. Negros não possuem poder institucional para serem racistas. A população negra sofre com um histórico de opressão e violência que a exclui. Brancos são mortos por serem brancos? São seguidos por seguranças em lojas?
Qual é a cor da maioria dos atores, atrizes e apresentadores de TV? Dos diretores de novelas? Qual é a cor da maioria dos universitários? Quem são os donos dos meios de produção? Há uma hegemonia branca criada pelo racismo que privilegia um grupo em detrimento de outro.
Para haver racismo reverso deveria ter existido navios branqueiros, escravização por mais de 300 anos da população branca, negação de direitos a essa população.
Ser chamado de palmito pode até ser chato e de mau gosto, mas racismo não é. A estética branca não é estigmatizada, ao contrário, é a que é colocada como bela, padrão. Danilo Imbecili cresceu num país onde pessoas como ele estão em maioria na mídia, ele desde sempre pôde se reconhecer. Pode até ser chato isso, mas ele não é discriminado por isso. Que poder tem uma pessoa negra de influenciar a vida dele por chamá-lo de palmito? Nenhum. Agora, um jovem negro pode ser morto por ser negro, eu não ser contratada por uma empresa porque eu sou negra, ter mais dificuldades para ter acesso à universidade por conta do racismo estrutural. isso sim tem poder de influenciar minha vida. Racismo vai além de ofensas, é um sistema que nos nega direitos.
Imbecili com esse discurso de falsa simetria só mostra o quanto é babaca. Não se pode comparar situações radicalmente diferentes. Quantas vezes esse ser foi impedido de entrar em algum lugar por que é branco? Em contrapartida, a população negra tem suas escolhas limitadas. Crianças negras crescem sem auto estima porque não se vêem na TV, nos livros didáticos. Eu mesma fui extremamente discriminada na escola e aguentei ofensas racistas por anos.
Agora, esse discursinho barato de “brancofobia” quando a população branca é a que está nos espaços de poder, faz Dandara se remexer no túmulo.
Não se pode confundir racismo com preconceito e com má educação. É errado xingar alguém, óbvio, ser chamado de palmito é feio e bobo, mas racismo não é. Para haver racismo deve haver relação de poder.”

“… O amor é imprevisível como você e eu, e o céu.”

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São Paulo.

Meu verdadeiro amor bandido!!! Tem algum outro nome essa coisa de encantamento, essa chama por algo, ou por alguém quando sabemos que este não presta?!

Ah… Sampa…

Cidade perigosa. Me lembra um homem desses que fala grosso, anda insinuante. Transpira cinismo, ambição e desdém. 

Sedutor barato de encantos mil.

Absolutamente cego com o que acontece fora do seu umbigo. Fissurado por glória e por exclusividade. Cheio de tesão, de veneno e maus hábitos, por vezes, largado às traças e apegado a soluções fáceis.

“Foda-se” é seu jeito de amar o próximo.

Quando chove, fica um demônio, quando faz sol bota a melhor roupa pra ir logo ali no mercado, na feirinha, num show, num restaurante, num shopping, num parque. E quando garoa… sempre garoa… Aí ele é mais ele que nunca!!!

Cruza o universo feito Avenida Paulista, cheio de si. Enfatiza quem realmente somos: mais generosos os que já são generosos, mais egoístas os que já são egoístas. Gostoso e intragável esse cara.

Cidade dos arrepios, pele com pele é imbatível (e quantas peles, quantos olhares). Cruel demais.

Mas quando você chega de longe, com saudade que não acaba mais e vê o sol teimando em brilhar em meio aos arranha-céus em pleno inverno, confesse que abre um sorriso cheio de libido…

Levante a mão quem não se lambuza nos sons, nas artes, na gastronomia, nas compras, na cultura. Levante a mão quem não se deixa levar pra cama, cheia de paixão por esse cretino.

São Paulo, seu cretino!…

Educando meninas – mais que Globelezas, mais que princesas

Vídeo

Olá mamães, papais, tias, madrinhas e todos que convivem e participam da educação das nossas futuras mulheres.
No início do mês eu recebi um vídeo suuuuper interessante, é uma campanha publicitária da empresa americana de brinquedos infantis Goldieblox que lançou uma linha de produtos que incentiva as meninas a brincarem de formas diferentes, a construir, pensar, criar, sob o slogan de “brinquedos para futuras engenheiras”. Grande vídeo, MARAVILHOSA mensagem para todos nós.
O vídeo me fez pensar mais ainda sobre o quanto é necessário para nós, que criamos meninas, nos despirmos completamente de idéias machistas e ultrapassadas: Nossas mocinhas são muito mais do que princesas, donas de casa e Globelezas. Digo isso porque quando eu era adolescente (e isso não mudou muito), não haviam muitas (para não dizer nenhuma) referência de mulher negra, bem sucedida, linda, inteligente. Minha referência na mídia era a Valéria Valenssa… e isso foi muito importante para minha auto estima e para minha afirmação. Hoje infelizmente não vejo na grande mídia muitas referências de mulheres negras bem sucedidas profissionalmente na política, tecnologia, química e ciência, mas elas estão por aí, e para nossa alegria, cada dia mais, basta pesquisar um pouco para encontrar.
É lindo, essencial e positivo que nossas pequenas vejam com orgulho a princesa Tiana (e todas as outras), a Globeleza (ainda não sei o nome dela, gente! Sorry…), que gostem de cozinhar, cuidar da casa, dos filhos. Mas é imprescindível que elas tenham a plena clareza de que NÃO SÃO APENAS ISSO… são inteligentes, capazes e PODEM SER O QUE QUISER… inclusive astronautas, professoras, técnicas em T.I, trabalhar na NASA, ser presidentes e principalmente NÃO SE DEIXAR TRATAR como se fosse apenas um rostinho bonito e um belo corpo – ontem mesmo esbarrei com um engraçadinho pensando que ainda era Sinhô (coitado), e com elas não vai ser diferente!!!
Vamos cuidar das nossas princesas, porque na verdade, um dia elas serão Rainhas (da arquitetura, da administração, do RH, da psicologia… e da cocada, rs)

“Não precisamos de um dia da consciência negra…” – Será?

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Sobre este cartaz que tenta deslegitimar o Dia da Consciência Negra (20 de Novembro), o que tenho a dizer:

1. Discursos “não precisamos” são verticalizados e arrogantes. Quem disse que não precisamos? Foram as organizações do movimento negro? Certamente não, porque muito lutaram para que o 20 de novembro fosse uma data de resgate da memória de Zumbi dos Palmares e, portanto, da própria resistência à escravidão. Afinal, lembrar Princesa Isabel é uma piada em termos de resgate da luta da população negra neste país.

2. A ideia de que exista algo chamado “consciência humana” é uma grande ficção, e nem diria que chega a uma utopia. Se não reconhecemos os privilégios que temos (e todos nós temos alguns, outros muitos), o lugar de onde falamos e o que sabemos ou não das lutas de outros grupos e pessoas, caímos neste conto de fodas de que existe uma consciência humana. E olha que eu sou humanista secular, faço parte de uma organização com este nome e tudo; entretanto, é preciso observar a história e as formas de funcionamento do poder.

3. O que a história nos ensina é que para esvaziar uma luta, você descaracteriza seus sujeitos e demandas, despersonifica suas especificidades e dilui pautas específicas em pautas genéricas. É assim que as formas de operação do poder (essencialmente econômico, que deriva para o político e midiático) conseguem esvaziar movimentos sociais, manifestações e reivindicações. E quando se tenta fazer isso pelo discurso desta imagem, não estamos ajudando mesmo. Estamos ignorando a história ao fazer isso. Ignorando movimentos por direitos civis e sociais em várias partes do mundo, o que as diversas ondas dos movimentos feministas nos legaram e do próprio movimento LGBT. Ou seja, quando não damos nome à opressão, aos oprimidos, aos opressores, às formas específicas de opressão, e às formas específicas de combatê-la, nós enfraquecemos esta causa. E o jeito mais comum (por isso clichê) de se fazer isso é apelando para uma consciência humana, uma empatia universal, um “humano global”. Nada disso existe.

4. Por fim, as formas de atuação política que temos no mundo não funcionam com um discurso de diluição das causas e de desejo de permanência da atenção sobre todas elas (o tal “365 dias do ano”). Quem protesta 365 dias do ano? Quem vai à Câmara Municipal, à prefeitura, ao Senado todos os dias? Quem faz isso para todas as causas? Todo mundo? Não, ninguém consegue. Há muita coisa a fazer no mundo. Por isso este discurso da “consciência humana” é política e historicamente insustentável, além de contribuir, na verdade, para a manutenção do status quo. Ninguém pode se apoderar (colonizar) das causas e pautas das pessoas que são diretamente afetadas por elas. A autonomia e o empoderamento têm de ser destas pessoas, e cabe a quem goza dos privilégios aos quais aqueles sujeitos não têm acesso, apoiá-las, aliando-se às lutas delas e compreendo que o protagonismo é delas. Então é prudente se questionar: os movimentos contra o racismo não querem esta data? Não querem visibilizar com maior ênfase, neste período, as pautas que têm?
(por Luiz Henrique Coletto- Vice presidente da LiHS – Liga Humanista Secular do Brasil, e branco… a quem possa interessarImagem)